Thursday, August 27, 2026

Juíz parcial

 


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André Mendonça repete no STF a mesma fórmula que consagrou Sergio Moro como símbolo do juiz parcial: o magistrado que confunde convicção pessoal, missão religiosa e projeto político com a toga. Assim como Moro abandonou a imparcialidade para atuar como acusador no caso Lula, conduzindo audiências, vazando áudios e depois trocando a sentença por um cargo de ministro, Mendonça transforma o Supremo em palanque ideológico. Seus votos não partem do direito, mas da lealdade ao bolsonarismo que o indicou, sempre pronto para blindar aliados e perseguir adversários.

A parcialidade se revela no método. Moro criava atalhos processuais, relativizava provas e usava a imprensa para condenar antes do julgamento. Mendonça faz o mesmo com outro verniz: pedidos de vista intermináveis para travar pautas caras ao país, liminares monocráticas para favorecer o agronegócio e igrejas evangélicas, e uma interpretação da Constituição sempre moldada pela sua agenda terrivelmente evangélica. Não é um juiz que julga fatos, é um militante de toga que julga a partir de quem está no banco dos réus.

No fim, tanto Moro quanto Mendonça representam o mesmo risco à democracia: a instrumentalização do Judiciário. Um destruiu a Lava Jato ao provar que era parte interessada; o outro enfraquece o STF ao provar que não consegue ser juiz da Constituição quando o assunto contraria sua fé ou seu padrinho político. São juízes parciais, políticos de toga, que usam o cargo não para fazer justiça, mas para fazer política.






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